Covid-19 atrasa tratamento de crianças com cardiopatia congênita

2020-07-07T12:35:29+00:00 08/06/2020|

Dia 12 de junho, data de conscientização sobre a doença, é oportunidade de alertar para a grande queda no número de cirurgias cardíacas pediátricas em decorrência da pandemia
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A pandemia da Covid-19 aumentou ainda mais o déficit de tratamento das crianças portadoras de cardiopatia congênita, que já era da ordem de 50% antes do surto – quando se fala no número de cirurgias cardíacas pediátricas não realizadas no Brasil. A afirmação é do cirurgião cardíaco pediátrico da Pro Criança Cardíaca e presidente do Departamento de Cirurgia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular Dr. Andrey Monteiro, às vésperasdo Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita, celebrado todos os anos em 12/6.

Nacionalmente, estima-se que desde março deste ano, quando as medidas de isolamento social foram adotadas, houve redução aproximada de 80% no número de cirurgias realizadas pela rede particular em crianças com problemas no funcionamento do coração. Entre essas normas de prevenção e combate ao coronavírus está o cancelamento das chamadas cirurgias eletivas. “Os números falam por si só. Não há como essa tamanha diminuição das intervenções não ter consequências para os doentes.”, compartilha Dr. Andrey.

A Pro Criança Cardíaca, no entanto, vem mantendo o atendimento de seus pacientes e com cuidados redobrados, priorizando aqueles que não podem postergar a consulta devido à doença cardiológica de base.

– As cirurgias cardíacas estão sendo realizadas de acordo com a indicação clínica. Devemos lembrar da importância, nesse período de pandemia, da orientação dos familiares e acompanhamento dos pacientes com doenças cardiovasculares, mesmo que à distância, afirma Dra. Isabela Rangel, diretora médica da Pro Criança Cardíaca.

Possível subnotificação na população pediátrica

Apesar de estudos iniciais demonstrarem que as crianças são menos suscetíveis à Covid-19, com uma incidência de aproximadamente 4%, acredita-se que há uma subnotificação da doença na população pediátrica, já que a maioria é assintomática ou pouco sintomática.

– Importante ressaltar que recentemente foi evidenciado uma nova apresentação clínica em crianças e adolescentes associada à Covid-19, denominada Síndrome Inflamatória Multissistêmica, com manifestação clínica e alterações laboratoriais similares às observadas na Síndrome de Kawasaki e / ou na Síndrome de Choque Tóxico, elucida Dra. Isabela.