Voluntários do Pro Criança Cardíaca: nossa gratidão é para sempre!

2019-08-29T17:40:27+00:00 28/08/2019|

Hoje, 28 de agosto, é Dia Nacional do Voluntariado. No Pro Criança Cardíaca, que há 23 anos cuida voluntariamente de crianças cardíacas carentes, os voluntários se multiplicam pelos corredores.

Têm os que recolhem doações, os que as separam, aqueles que ajudam na distribuição. Tem o voluntário que doa seu tempo registrando a alegria do atendimento conquistado e os eventos que celebram a solidariedade. E tem profissional de saúde, que doa tempo em atendimentos odontológicos indispensáveis no processo do cuidado. Reunimos alguns personagens que acreditam na doação: de tempo, de conhecimento, de bondade, de amor para incentivar que mais voluntários nasçam e perpetuem o bem.

Suzete, Pierre e Davi aceitaram chamados internos para fazer o bem e integram a parcela de cerca de 7,4 milhões de brasileiros que realizam trabalho voluntário, de acordo com a pesquisa Outras Formas de Trabalho 2017, divulgada em abril do ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este número equivale a 4,4% da população e apresentou crescimento se comparado aos anos anteriores.


“Voluntariado é compromisso”

Pedagoga, pós-graduada em Educação Infantil pela PUC-Rio e especialista em Coordenação de Voluntariado pela Universidade Anhembi, Suzete é voluntária do Pro Criança Cardíaca há mais de 13 anos. Sempre às terças-feiras, das 10h às 12h, ela separa e organiza roupas e outros artigos doados para as famílias do projeto. “Eu deixei meu nome aqui e foi a Dra. Rosa quem me ligou dizendo que precisava de pessoas neste dia”, relembra. Suzete herdou a vocação da mãe, Rosa Oighenstein Lerner, uma voluntária convicta que a levava para todas as ações que empreendia pela cidade.

Suzete destaca que há pessoas muito pobres, cujos filhos são atendidos pelo Pro Criança Cardíaca. “É horrível ver a miséria. O dia que não tem nada aqui para eu arrumar para as famílias levarem para casa, me corta o coração. Já teve dia de atrasarem a entrega das cestas básicas, de não ter roupa, não ter brinquedo, é muito triste…”, diz, bastante emocionada. As famílias precisam de tudo, segundo ela: roupa de uso pessoal para os adultos, para as crianças, roupa de cama, banho, até livros há quem leve.

“Minha satisfação é ver os sorrisos quando podem levar roupas e comida, e as crianças os brinquedos que querem. Neste dia eu volto pra casa alegre, feliz. E ainda tem o lanche que o projeto oferece, afinal há aqueles que saem de casa às 3h, chegam às 6h, esperam o portão abrir às 8h e aguardam o atendimento”.

Para Suzete, voluntariado é compromisso. “Tem gente que depende do nosso trabalho. Quem é voluntário precisa entender que é como se ele estivesse numa empresa, com as mesmas responsabilidades, com a diferença que não somos remunerados. Se a pessoa não aceita isso, não dá certo. Não pode faltar sem avisar, por exemplo, tem que colocar alguém no seu lugar se não puder ir. É difícil instaurar essa cultura.”

Outra questão bastante importante que, para Suzete, não é muito discutida nos meios de comunicação, é que muitas pessoas indicam o voluntariado para quem tem ou está passando por um momento de depressão, de desequilíbrio emocional. “Isso atrapalha demais o trabalho, porque é preciso ter energia, disposição e preparo emocional para lidar com muitas situações tristes. Com certeza há exceções, mas na minha experiência nunca funcionou ter pessoas com depressão na equipe de voluntários”.

Por essas e outras, ela vê como urgente a divulgação do que é e como funciona o voluntariado no dia a dia. “Vemos muitas notícias de boas ações, mas quase nenhuma que seja também didática para a população”.

“É preciso dar de si para alguém que precisa. E cada um pode fazer de acordo com a sua realidade. Se você puder uma vez por mês, duas horinhas, ajudar em algum lugar, vá, faça sua caridade. Já vai diferença na vida de alguém”, completa

Caridade em forma de tratamento odontológico

Em 2002, foi criado o Serviço Odontológico do Pro Criança Cardíaca, quando o dentista Pierre Gentil, que coordena a área, conheceu Dra. Rosa Celia. O filho dele tratava uma cardiopatia com ela e isso o fez conhecer mais de perto o projeto. Daí surgiu o desejo de reunir amigos, que arregaçaram as mangas e em 2003 já tinham o consultório funcionando na casa da Rua Dona Mariana, 40. Muitos estudos indicam a influência de doenças bucais em crianças cardiopatas, ressaltando a relevância da manutenção da saúde bucal.

De lá para cá, 20 profissionais já passaram pelo serviço, que é 100% voluntário. A dinâmica de atendimento ajuda ainda mais as famílias, já que as crianças (média de seis a oito, diariamente) passam pelos dentistas no mesmo dia de suas consultas médicas. A prioridade é de quem está em tratamento ou será submetido à cirurgia. Ao todo, esse voluntariado celebra 5.100 atendimentos prestados.

Dr. Pierre acredita no trabalho voluntário como caminho para constante evolução espiritual e moral através do servir ao semelhante. As bases, para ele, são a caridade e o amor. “O que é o valor financeiro, perto do tesouro da moral e da consciência tranquila? Absolutamente nada!”, reflete.

Assista na íntegra a entrevista do Dr. Pierre Gentil sobre o Dia do Voluntário na Rádio Catedral FM 106,7 – Rio de Janeiro. Clique aqui


Pelas lentes do amor

Davi Fernandes é voluntário do Pro Criança Cardíaca há 13 anos, clicando os eventos do projeto e procurando os melhores ângulos para registrar as doações recebidas. É ele quem doa o seu tempo para tirar as fotos que estão nas redes sociais e em outros materiais institucionais também.

Davi se emociona ao defender que recebemos de volta o bem que fazemos, quando se opta pelo serviço voluntário. Para ele, é incrível encontrar sorrisos, por exemplo, de mães que saem de longe, encaram transportes lotados com filhos doentes nos braços, e permanecem cheias de esperanças no coração.