Aos 18 anos, Guilherme encontra no amor dos avós, no acolhimento do Pro Criança Cardíaca e no esporte a oportunidade de viver com mais saúde, autonomia e qualidade de vida

Quando Guilherme Pereira Rodrigues nasceu, em 25 de abril de 2008, sua família ainda não imaginava os desafios que estariam pela frente. Pouco tempo depois, veio o diagnóstico da cardiopatia congênita, somado à síndrome de Down. Desde então, uma pessoa decidiu fazer da missão de cuidar do menino o propósito da própria vida: o avô Walmir Pereira.

Hoje, aos 18 anos, Guilherme mora há oito anos com os avós, Walmir e Vanda Alves Pereira, casados há 47 anos. Foi a rotina da família que mudou completamente para garantir que ele tivesse todas as oportunidades para crescer com qualidade de vida, autonomia e afeto.

“O Gui deu um giro de 360 graus na minha vida”, resume Walmir.

Primeiro neto entre seis, Guilherme passou a ocupar um lugar central no dia a dia do avô. É Walmir quem o leva à escola, acompanha as consultas médicas, incentiva a prática esportiva, participa das festas e está presente em cada conquista.

Foi por meio do Instituto Reação, onde Guilherme pratica judô, que a família conheceu o Pro Criança Cardíaca. Desde setembro de 2024, o jovem é acompanhado pela instituição, recebendo atendimento cardiológico e odontológico especializado.
“O tratamento de uma criança com cardiopatia vai muito além dos procedimentos médicos. Ele depende de uma rede de amor, cuidado e dedicação, e, muitas vezes, são os avós que assumem esse papel com uma generosidade imensa. Eles acompanham consultas, administram a rotina, oferecem segurança emocional e se tornam verdadeiros parceiros da equipe de saúde. No Pro Criança Cardíaca, cuidamos da criança, mas também acolhemos toda a família, porque sabemos que ninguém enfrenta essa jornada sozinho”, afirma a cardiologista pediátrica Dra. Rosa Célia, fundadora e presidente do Pro Criança Cardíaca.

Para Walmir, o acolhimento recebido fez toda a diferença. “Sou grato de coração pela maneira como o meu neto foi acolhido. Não canso de elogiar. São todos maravilhosos, desde a recepção até os médicos. O carinho que recebemos no projeto faz toda a diferença”.

Além do acompanhamento médico e odontológico no Pro Criança, Guilherme leva uma vida ativa. Toca tamborim, já desfilou pela Portela e participa das atividades do Instituto Reação, experiências que, segundo o avô, pareciam distantes anos atrás.

“Hoje eu e ele fazemos coisas juntos que eu nem imaginava. Eu procuro cobrir, da melhor forma possível, todas as necessidades dele para que tenha uma vida feliz”.
Apesar das conquistas, Walmir lembra que o preconceito contra pessoas com síndrome de Down ainda faz parte da realidade de muitas famílias.

“O Gui recebe muito carinho das pessoas que convivem com ele, mas o preconceito ainda existe. Precisamos de mais respeito, inclusão e oportunidades”.

Neste Dia dos Avós, a história de Walmir e Guilherme evidencia a importância da rede de apoio na vida de crianças e adolescentes com cardiopatias congênitas. Em muitos casos, avós assumem o papel de cuidadores, acompanhando tratamentos, oferecendo segurança emocional e garantindo que consultas, exames e terapias nunca sejam interrompidos.

No Pro Criança Cardíaca, esse cuidado também se estende às famílias. Há quase 30 anos, a instituição oferece atendimento humanizado e multidisciplinar a crianças e adolescentes com doenças cardíacas, acolhendo pacientes e seus responsáveis em todas as etapas do tratamento.

A trajetória de Guilherme mostra que, quando amor, dedicação e acesso à saúde caminham juntos, o coração encontra espaço para sonhar, superar desafios e construir novas histórias.