Psicóloga Claudia Marcia Blois apresentará trabalho sobre a relação entre arte, linguagem e subjetividade, a partir de sua experiência com crianças e adolescentes que vivem com cardiopatias
Como a arte pode ajudar crianças e adolescentes a expressar sentimentos e experiências que nem sempre conseguem traduzir em palavras? Essa é uma das questões que orientam o trabalho da psicóloga Claudia Marcia Blois, que representará o Pro Criança Cardíaca na Reunião Lacanoamericana de Psicanálise (La Lacano), realizada de 28 a 31 de outubro de 2026, em Montevidéu, no Uruguai. No encontro, ela apresentará o trabalho “Fala-ser: o que a arte tem com isso?”, que propõe uma reflexão sobre as relações entre arte, linguagem e subjetividade a partir de sua experiência profissional na instituição.
Realizada bienalmente desde 1986, a La Lacano reúne psicanalistas, pesquisadores e instituições de diferentes países das Américas para compartilhar estudos e experiências relacionados à prática psicanalítica. A participação da psicóloga e psicanalista do Pro Criança Claudia leva ao debate internacional uma perspectiva sobre o cuidado de crianças e adolescentes com cardiopatias que considera não apenas os aspectos físicos do adoecimento, mas também as experiências emocionais e subjetivas de cada paciente.
A apresentação parte do conceito de falasser, da psicanálise lacaniana, para discutir como a linguagem participa da constituição do sujeito e de sua relação com o mundo. Nesse contexto, a arte é abordada como uma possibilidade de expressão que vai além da palavra, permitindo explorar sentimentos, desejos e vivências de diferentes maneiras.
A reflexão propõe olhar para crianças e adolescentes para além do diagnóstico, reconhecendo suas histórias, singularidades e formas próprias de lidar com os desafios da cardiopatia. Ao ampliar as possibilidades de expressão, a arte pode contribuir para uma compreensão mais abrangente da experiência de adoecimento e para um cuidado que considere a criança em suas múltiplas dimensões.
“Levar o trabalho realizado no Pro Criança Cardíaca a um evento que reúne todo o legado da psicanálise da América é um privilégio. Inserir a psicanálise em uma instituição é um grande desafio, porque ela ainda é frequentemente associada ao atendimento individual, ao consultório. Mas acredito que, além de desafiador, esse movimento é necessário. A psicanálise nos convida a olhar para cada pessoa em sua singularidade, considerando sua subjetividade e sua história. Levar essa perspectiva para uma instituição é abrir espaço para uma forma mais humana e sensível de cuidado”, destacou Claudia.
Experiência brasileira em diálogo com a comunidade internacional
A participação na La Lacano também abre espaço para compartilhar conhecimentos construídos na prática profissional do Pro Criança Cardíaca e promover o intercâmbio com especialistas de outros países. A iniciativa contribui para ampliar o debate sobre a dimensão emocional do cuidado pediátrico e sobre a importância de reconhecer cada paciente para além de sua condição clínica.
“É também mostrar à comunidade psicanalítica que vale a pena ampliar esses espaços de atuação e reconhecer o quanto a psicanálise pode contribuir para o cuidado institucional”, considerou.
Ao levar essa experiência a um encontro internacional, a instituição reforça a relevância de uma abordagem humanizada, que considere as necessidades físicas e emocionais de crianças e adolescentes com cardiopatias e valorize suas possibilidades de expressão, autonomia e desenvolvimento.
NOTA IMPRENSA
Pro Criança Cardíaca leva reflexão sobre arte e subjetividade ao principal encontro latino-americano de psicanálise
A arte como caminho para a expressão de emoções, desejos e experiências de crianças e adolescentes com cardiopatias é o tema do trabalho que a psicóloga Claudia Marcia Blois apresentará na Reunião Lacanoamericana de Psicanálise (La Lacano), de 28 a 31 de outubro, em Montevidéu, no Uruguai. Representando o Pro Criança Cardíaca, que cuida da criança cardiopata carente há 30 anos no Brasil, ela levará ao encontro a experiência do projeto a partir da reflexão “Fala-ser: o que a arte tem com isso?”.
A apresentação propõe discutir como a arte pode abrir espaço para a subjetividade de crianças e adolescentes que convivem com uma condição cardíaca, ampliando a perspectiva do cuidado para além do diagnóstico e dos procedimentos médicos. A participação no congresso também coloca em evidência a dimensão emocional do atendimento pediátrico e a importância de reconhecer cada paciente para além de sua condição clínica.
“Levar o trabalho realizado no Pro Criança Cardíaca a um evento que reúne todo o legado da psicanálise da América é um privilégio. Inserir a psicanálise em uma instituição é um grande desafio, porque ela ainda é frequentemente associada ao atendimento individual, ao consultório. Mas acredito que, além de desafiador, esse movimento é necessário. A psicanálise nos convida a olhar para cada pessoa em sua singularidade, considerando sua subjetividade e sua história. Levar essa perspectiva para uma instituição é abrir espaço para uma forma mais humana e sensível de cuidado. É também mostrar à comunidade psicanalítica que vale a pena ampliar esses espaços de atuação e reconhecer o quanto a psicanálise pode contribuir para o cuidado institucional”, declarou Claudia.
